Vozes da Funarte SP

Sharine

São Paulo, 18 de outubro de 2017.

 

Prezada Profa. Kate Oakley

Espero que esteja bem!

Escrevo-lhe para contar um pouco do meu trabalho aqui no Brasil. Na Inglaterra, como tive oportunidade de conhecer, o governo atua no fomento a iniciativas artísticas e culturais, mas não administra diretamente os equipamentos. Aqui no Brasil, boa parte dos museus, teatros e centros culturais pertence ao Estado, na esfera municipal, estadual e federal.

Eu trabalho em um desses lugares. A Funarte SP é uma representação regional da Fundação Nacional de Artes, órgão vinculado ao Ministério da Cultura, responsável por promover políticas públicas para fomento às linguagens artísticas. Além dos prêmios e editais, de caráter nacional, a Funarte tem espaços culturais no Rio de Janeiro, em Brasília, São Paulo e Belo Horizonte.

Aqui em São Paulo temos o Complexo Cultural Funarte SP, o Teatro de Arena Eugênio Kusnet (um local histórico) e o TBC (que atualmente está em reforma).

Embora trabalhe com os três espaços, meu posto é no Complexo Cultural, local onde passo a maior parte dos meus dias.

Temos um pátio amplo, três salas de teatro e dança, duas galerias e uma auditório, a Sala Guiomar Novaes, palco de um importante movimento artístico nos anos 1980. A música alternativa ganhava força com artistas como Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção. Nas artes visuais, a performance se expandia, ao lado do grafite e de outras experimentações estéticas.

Atualmente, nossos espaços são muito procurados por jovens artistas, que nem sempre encontram espaço nos circuitos tradicionais.

Ver as pequenas coisas acontecerem é do que mais gosto do meu trabalho: um grupo que consegue viabilizar uma peça de teatro; um show com casas lotada (ou um espetáculo com uma pessoa na plateia, mas que é capaz de transmitir sua mensagem); as visitas das escolas; uma exposição sendo montada; o brilho nos olhos de quem produz uma obra.

As dificuldades são enormes! Das goteiras (cachoeiras?) nas salas de espetáculos à falta de público; dos projetos que nem sempre acontecem à imensa barreira da imprensa na divulgação das atividades.

Mas ver uma peça estrear e ouvir os aplausos ao final compensa as dificuldades!

Espero que minha carta tenha transmitido uma boa imagem da Funarte SP!

Um abraço,

Sharine