Vozes da Funarte SP

COLETIVO AMUELA – Residência Artística / Ateliês Educativos

Amuela (espanhol) / Amolar (português)
1. transitivo direto
tornar afiado (instrumento de corte), aguçar na amoladeira, no rebolo, etc
“a. um facão”
2. transitivo indireto
p. metf. Tornar sagaz, penetrante, agudo, incomodar
“a. a imaginação”

HISTÓRICO
AMUELA é um Coletivo autogerido de política artística, educativa e cultural. Foi fundado em 2015, em São Paulo, motivado pelo desejo de reflexão conceitual e contextual sobre arte, educação e política cultural nas artes visuais.
Seus membros vieram das artes visuais e cênicas, do jornalismo e arquitetura, de museus e salas de aula. Estudantes das manifestações artísticas em relação à condição humana, a partir disso e de acordo com suas tendências questionadoras, desenvolvem projetos que misturam linguagens artísticas e abordagens conceituais.
A atuação do AMUELA busca identificar, fortalecer e fomentar uma rede de interlocutores e de produção, tanto no ambiente artístico como no social, tendo como fundamento valores associados a uma arte livre, experimental, heterogênea, crítica, contemporânea e de envolvimento social.
Além de ser uma tática fundadora da própria ação, a questão da autogestão é um foco recorrente de investigação. No coletivo exercita-se um olhar sobre a produção de jovens artistas, atribui-se relevância a diferentes contextos produtivos, articulam-se redes de parceria, instauram-se campos coletivos para a inserção social da arte e busca-se também estabelecer relações com comunidades educativas não inseridas nas políticas
públicas tradicionais.
De início, denominado “Amigos do MinC”, o coletivo atua voluntariamente, desde sua fundação, nas dependências do Complexo FUNARTE-SP na Representação Regional São Paulo do Ministério da Cultura, onde coordenou a reestruturação de duas salas, em que hoje funcionam a Biblioteca do MinC-SP e a Sala Ateliê, espaços hoje abertos à toda comunidade artística, em especial a uma nova geração de artistas visuais.

Nestes espaços, já foram realizadas diversas propostas executadas pelo Coletivo Amuela, com a anuência do MinC-SP, através de ações voluntárias e propositivas, assim como a produção de vários encontros, dentre eles:
– Catalogação do acervo de obras de artes e reproduções, num total de 18 obras, tendo entre elas nove óleos sobre tela do artista Manuel Navarro Puerta – Setembro de 2015;
– Implantação da horta comunitária nos jardins do MinC-SP – Outubro de 2015;
– Seleção, organização e catalogação do acervo de aproximadamente 3 mil títulos de livros, videos e cd-room, hoje disponibilizados para toda a comunidade artística no ponto de leitura do Ministério da Cultura-SP – Novembro e Dezembro de 2015;
– Iniciativa na doação de livros de arte e exposições, em grande quantidade, com a anuência do MinC-SP. Os exemplares excedentes foram doados para a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, através do Setor de Bibliotecas – Janeiro a março de 2016;
– Encontro “Provoca+Ações” que reuniu 12 profissionais especialistas em arte, comunicação, jornalismo, curadoria e gerenciamento de espaços culturais – Janeiro de 2017.

RESIDÊNCIA ARTÍSTICA / ATELIÊS EDUCATIVOS
No universo da arte contemporânea, a criatividade, que sempre é colocada à prova dos críticos e dos valores do mercado, é dificultada e cria imensos obstáculos no início da carreira de jovens artistas.
Por vezes ele se encontra no período posterior à graduação na Academia, onde acabou de beber das referências artísticas que admira, por outras, sendo ele autodidata, não encontra espaço físico ou mesmo de compartilhamento de ideias, para o seu processo criativo e consequente execução de seus trabalhos. Muitas vezes é deste frescor que ele necessita, de um meio em que ele possa se renovar constantemente, provocando assim reflexões produtivas essenciais para seu processo criativo.
Sabe-se também, que o primeiro contato com a arte se dá, formalmente, nas salas de aula do ensino fundamental e médio através da disciplina Artes. O professor desta disciplina torna-se então o responsável por decifrar a arte contemporânea com todos os seus complexos códigos estéticos, políticos, sociais e sua rica diversidade de materiais
utilizados nas obras. O contato com o artista e seu ateliê pode se tornar então uma importante ferramenta pedagógica para este professor que poderá incentivar seus alunos a produzirem seus próprios trabalhos a partir do contato direto com artistas/curador/produtores participantes do projeto “Ateliês Educativos”.
Neste sentido, no ano de 2015, o Coletivo Amuela propôs e obteve anuência e apoio logístico do MinC-SP, para a realização do projeto “Residência Artística / Ateliês Educativos” cuja 1ª temporada aconteceu de janeiro a julho de 2016. Nesta temporada, que teve a participação de cinco artistas residentes, todas as ações que compreendem o projeto foram produzidas pelo Coletivo.
Os cinco artistas residentes, selecionados para a 1ª temporada foram: Bárbara Magliocco, Kerua, Laz Camargo, Mayy Booh e Rubens Scandiuzzi. Os produtores voluntários das ações envolvendo a residência foram: Alice Merino, Camila Terra, Henrique Santos, Joice Dantas, Marcia Martini, Marcos Assunção, Natália Garbin, Paulo Drummont, Richard
Ventura e Ruben McCarthy.

De abril a junho daquele ano, contemplando o aspecto de Ateliê Educativo do projeto, aconteceram vinte e dois (22) encontros de formação, sendo:
– Cinco (05) encontros de formação entre e para os artistas residentes e produtores do Coletivo Amuela e convidados. Passaram por formação aproximadamente 15 participantes, num total de 15 horas de formação;
– Cinco (05) encontros de formação para educadores e professores de artes da rede pública de ensino e instituições parceiras, dentre elas a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e o Centro Paula Souza. Passaram por formação, com os artistas residentes da 1ª temporada, aproximadamente 40 professores e educadores, num total de 15 horas de formação;
– Doze (12) encontros de formação para estudantes da rede pública e estadual de ensino, com oferta de transporte gratuito para dez escolas participantes. Esta logística de transporte se deu através de uma parceria com a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura do Município de São Paulo. Passaram por formação, com os artistas residentes da 1ª temporada, aproximadamente 560 estudantes do nível Fundamental II e Ensino Médio, num total de 36 horas de formação.

Como um dos resultados da 1ª temporada, aconteceu de 3 de junho a 3 de julho de 2016, na Galeria Mario Schenberg, e com o apoio institucional da FUNARTE-SP, a exposição “Arte Educação: Tradição e Ruptura”, com obras produzidos pelos artistas residentes, assim como trabalhos produzidos por professores e estudantes, que participaram dos
encontros de formação. A mostra teve a curadoria de Celso Rabetti.

A exposição aconteceu num período onde o Complexo da Funarte-SP foi ocupado por movimentos artísticos e sociais, em função do momento político turbulento em que o país atravessava. Com a ocupação ou mesmo em função dela, a visitação da exposição teve recorde de público, chegando a aproximadamente 4.500 visitantes.

Para a 2ª temporada da “Residência Artística/Ateliês Educativos”, o projeto passou por uma reformulação, buscando atender necessidades e com um formato inovador. Ele teve início em fevereiro de 2017, e em função dos resultados obtidos na 1ª temporada e o grande numero de inscritos, dobrou o quadro de artistas residentes em relação à 1ª
temporada.
O projeto manteve seu objetivo principal que é proporcionar espaço físico para a produção de artistas visuais, em início de carreira, através de um ateliê aberto e com características educativas. Os ateliês acontecem em formato de “temporada” e foram ocupados por todos os residentes.
Neste ano de 2017 o projeto abrangeu três categorias específicas: residência Artística, voltada para jovens artistas visuais em início de carreira, residência Curatorial, que acompanhou os processos de pesquisa, criação e execução dos trabalhos dos artistas residentes, durante todo o período da residência e a residência em Produção de Artes Visuais, uma inovação em residências artísticas.

Através de chamamento público aberto pelo AMUELA, foram selecionados 10 artistas residentes, 2 curadores residentes e 7 produtores também residentes, cujas atividades no ateliê se iniciaram em maio de 2017.

Os artistas residentes foram: Brunner, Carolina Luditza, Edmar Almeida, Eduardo Credo, Florido Gabriela Souza, Indiara Nicoletti, Mirela Malaman, Perego Danilo e Renato Almeida.]

Os curadores residentes foram: André Fernandes e João Gomes.

Os produtores residentes foram: Andrea Saluceste, Anya Teixeira, Flávia Godoy, Laís Silveira, Lúcia Lima, Marcos Braga e Melissa Laurent.

COLETIVO AMUELA: Celso Rabetti, Joara Santos, Kerua, Laz Camargo, Richard Ventura e Tarcísio Motta.

Como um dos resultados da 2ª temporada, aconteceu de 5 de outubro a 4 de novembro de 2017, nas Galerias Mario Schenberg e Flávio de Carvalho, e com o apoio institucional da FUNARTE-SP, a exposição “Corpos que percorrem um espaço dividido” com obras produzidos pelos artistas residentes.

Além de aprofundar o apoio à produção e pesquisa sobre a arte contemporânea, a Residência tem como objetivos estimular a pesquisa, a criação e a reflexão crítica; formar novos públicos para a arte contemporânea; promover a interação entre artistas, críticos,
curadores e instituições culturais; e aproximação dos residentes com professores e educadores da rede pública de ensino assim como de seus educandos.

O catálogo que reúne informações sobre a 1ª e 2ª temporadas do projeto está disponível através do link:

Um comentário sobre “COLETIVO AMUELA – Residência Artística / Ateliês Educativos

Deixe uma resposta